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06/09/2010

Quando a vida muda de um dia para outro: Post 3 - Fim de namoro, e um imenso castelo de areia ao chão

Semana do casamento, e aqui estou, novamente, escapando do ritmo frenético dos planejamentos, andanças em lojas, "resolveres" de problemas e pendências... É, este blog ás vezes consegue ser um caminho de fuga! rs...

Então, vamos lá...

Pensando ainda em mudanças repentinas, a que mais me marcou, com toda a certeza, foi a que, de um dia pora o outro perdi alguém que amava e fiquei sozinha.
Graças a Deus, neste caso não estou falando de morte, mas estou pensando em algo também imensamente dolorido, que consegue te deixar com um vazio no peito do tamanho do seu coração.

Estou pensando na mudança que se vive de um dia para o outro quando se termina um relacionamento.
Embora com palavras é difícil descrever o que se sente nessa hora, vou tentar. Foi mais ou menos assim: em um dia eu tinha sonhos, fantasias, planos, uma rotina de passeios, de sentimentos deliciosos, de companhia, conversas, carinho físico e sentimental.
No outro, eu não tinha mais nada, se não apenas uma montanha de poeira vinda de um imenso castelo de areia que havia acabado de desabar com todas as coisas valiosas que um relacionamento trás. E essa poeira era tão densa e tão escura que não me deixava mais ver o que estava adiante daquele castelo que eu havia construído... O mundo inteiro parecia ter desabado.

Nessa hora qualquer possibilidade de futuro parece incerta. Você não quer o futuro que está sendo desenhado. Você não deseja iniciar um novo castelo de areia... Sua vontade é pegar aquelas minúsculas partículas de poeira e magicamente reconstruir aquele castelo, mudando aquelas coisas que ficaram mal feitas e o fizeram desabar. Mas isso é impossível!
Então a segunda vontade é ficar dormindo o dia todo, todos os dias, sonhando com o castelo que ainda está de pé, não desabou e é lindo. Mas tentar fugir da realidade até que a poeira tenha baixado não nos traz nenhum conforto, pois ao sermos obrigados a encará-la, ela fica ainda mais dura e escura.

Bem, quando essa mudança de um dia para o outro acontece, a única esperança que podemos encontrar está além de nós, além das nossas forças humanas, além do que as pessoas ao nosso redor podem oferecer para nos consolar. Ela está apenas na fé.

Fé: firme certeza das coisas que não se vêem. Fé de que o Senhor está no controle, Ele vê o nosso caminho quando a nuvem de poeira toma conta. Fé de que Ele têm propósitos grandes, maiores do que nós, ao permitir que castelos de areia sejam construídos e derrubados.

Aprendi com essa mudança que por mais que se possa ter a sensação de controle, ela é pura ilusão. O Senhor pode mudar os rumos que nós traçamos em nossas mentes. Ele já traçou o nosso rumo muito antes de nós existirmos e esse rumo envolve castelos de areia, e até mesmo castelos de tijolos e concreto derrubados.

No entanto, é bom lembrar sempre: temos esperança! Mesmo sem entender, sabemos que TUDO o que ELE faz é PERFEITO e é o MELHOR para nós.

Aprendi também que Deus reconstrói castelos derrubados. Basta apenas entregar os pedaços a Ele, e deixar que Ele faça sozinho, sem ajuda, sem intervenção.

Ahh... como é bom poder confiar na perfeição de Deus e ficar tranquila de que, se vierem mudanças que tragam a sensação de que o mundo desabou, NÃO, ele não desabou. É apenas um castelo que Deus irá reconstruir de forma perfeita se assim eu permitir.

(E só para registrar: sábado estarei me casando com o meu lindo, amado e temente a Deus homem da minha vida. Deus restaurou o nosso relacionamento e permitiu que ele fosse reconstruído, não mais em areia, mas sobre a rocha. A Ele seja a Glória! Obrigada, Senhor!).

03/09/2010

Quando a vida muda de um dia para outro: Post 2 - Quando o "mundo inteiro" começa a falar outra língua

Bem, quem leu pelo menos algumas postagens deste blog, provavelmente já percebeu: gosto de relembrar! E quem me conhece sabe o quanto curto reviver histórias e recordar datas, momentos e situações...

Hoje estou pensando na mudança de país de um dia para o outro que vivi no ano de 2004.

Sabem, o mundo é incrível! Você está no Brasil, todos falam português, tudo fala português e você nem se dá conta por que, simplesmente, você fala português também!
Daí você entra em um avião, viaja por algumas horas e, repentinamente, desce em um lugar totalmente diferente, onde ninguém fala português. Ninguém e nada. Placas, avisos nas portas, panfletos, rádio, tv, carro (é sério, descobri que eu dirigia em português até pegar um carro americano!) , etc, etc...

Nossa, de um dia para o outro, ou de uma hora para outra, eu não entendia mais nada.
Lembro-me como foi angustiante andar naquele aeroporto sem minha mala, pensando em como eu descobriria onde era o, hoje sei: baggage claim; tentando imaginar em minha mente como eu iria pedir um hamburguer no Mc Donnald's (Se você pensa que falar "Number one, please" é o suficiente, espere até a atendente perguntar sobre bebida, molho, tempero... Nossa, é uma confusão que te tira totalmente a vontade de comer o Big Mc! (rs)...

Bem, situação revivida, segue reflexão...

Quando mudanças desse tipo acontecem, você só tem uma opção: se adaptar! E é incrível a capacidade que o ser humano tem de adaptação e acomodação. A angustia durou alguns dias, menos de uma semana. Depois as coisas ficaram naturais. Tão naturais que, ao voltar para o Brasil um ano depois, eu achei tantas coisas estranhas que me senti em um mundo totalmente diferente do que o que eu tinha vivido (sentia eu) a vida toda! (rs...)

Enfim... Se adaptar! Essa é a palavra. No começo pode parecer angustiante (overwhealming seria uma palavra perfeita agora, pena que não tem uma tradução boa), mas depois de um tempo, você se adapta!

02/09/2010

Quando a vida muda de um dia para outro: Post 1 - Indo para a escola de ônibus pela primeira vez!

Ultimamente tenho pensado muito sobre mudanças.
Que a vida muda constantemente é fato. Mas a maioria das mudanças acontecem gradualmente, e dificilmente tomamos consciência delas, até que as coisas tenham avançado o suficiente para olharmos para trás e notarmos as diferenças.

No entanto, existem algumas mudanças que acontecem de um dia para o outro. Esse tipo é menos freqüente, mas causa um impacto imenso. Quando penso em transformações repentinas, penso em páginas da vida viradas, etapas finalizadas, e novas fases mais evoluídas começando.

Estou planejando escrever sobre algumas mudanças de um dia para o outro que já aconteceram em minha vida.

Quem aí lembra de quando começou a andar de ônibus sozinho? Eu não me esqueço!

Aliás, essa é primeira mudança repentina relevante que consegui pensar.

Foi tão legal quando, de um dia para o outro, minha irmã Raquel e eu deixamos de ser levadas pelo "tio da perua" e passamos a ter nosso próprio horário, nosso próprio passe de ônibus, nossa carteirinha de estudante, nossa autonomia e independência!
Ahh, que orgulho que tínhamos em falar para os amigos da nossa idade que íamos sozinhas de ônibus para a escola!
Que delícia eram aquelas saídas em massa de alunos do colégio e a caminhada até o ponto. Até pegar o ônibus lotado era legal. (rs)
Que saudades dos meus desvios de caminho até a casa de amigos para fazer trabalhos e para brincar, até o mercado para tomar sorvete ou comer Trakinas com Coca-cola, até o centro de Osasco para andar no Shopping...

No dia em que peguei o ônibus para a escola pela primeira vez, senti que tinha crescido uns 10 anos em um dia! A vida mudou, a rotina mudou, o sentimento mudou. Sentir-se responsável, apesar do peso que isso trás, é bom!

Agradeço muito a Deus e aos meus pais por nos terem permitido essa fase que tanto me ajudou a crescer, a adquirir senso de responsabilidade e capacidade de pensar sozinha.

Enfim, penso que essa é uma das coisas importantes que as mudanças repentinas, as páginas viradas e as novas etapas fazem com a gente: nos fazem crescer.

13/08/2010

Sentindo saudades

Minhas emoções estão um tanto bagunçadas hoje.
Me sinto como que entrando em um túnel giratório que está me tirando toda estabilidade, apoio e conforto...

Quando a vida resolve mudar, quem pode segurar? Ou melhor, quando chega o momento preparado por Deus para que sigamos para a próxima etapa, com nova rotina, novos lugares, novas pessoas, novos desafios e novas responsabilidades, quem pode segurar o destino já traçado desde a fundação do mundo? É, isso seria como remar contra a maré, nadar contra a correnteza, andar contra o vento... Só geraria estresse, cansaço, insatisfação e trabalho inútil.

O jeito é deixar-se levar. Soltar o remo, deitar-se no rio, colocar as pernas para cima e deixar a correnteza guiar. Só de pensar o sentimento que isso traz é de muito mais paz, conforto e facilidade.

As mudanças que tenho em vista são boas. São sonhos e planos a muito desejados que estão se realizando. Vou me casar! Terei meu maridinho perto de mim, poderei cuidar dele, poderemos ter uma família, filhos, nosso lar... Poderemos servir ao Senhor juntos, viver momentos únicos, curtir a vida ao lado um do outro. Tudo isso é incrível, é um presente de Deus!

Mas, já estou sentindo saudades.

Sinto saudades da minha vó e do meu vô. Apesar dos alguns conflitos, eu os amo demais e agradeço ao Senhor por cada dia que pude passar aqui ao lado deles. Serei eternamente grata pela roupa lavada e passada (sempre), pela comida deliciosa (sempre), pela espera no portão quando chego à noite (sempre), pelo carinho e pelo cuidado que eles SEMPRE demonstraram. Não tem dinheiro, não há palavras, não há simplesmente nada que eu possa dizer ou fazer que pague tudo o que fizeram durante esses 5 anos que morei aqui.

Sinto saudades da minha igreja. Das famílias, das senhoras (minhas amigas), das crianças (tantas delas acompanhei o crescimento físico e espiritual...), dos jovens (amigos de todas horas), do ministério de música (que admiro tanto), do ministério de ensino (que pude ajudar e vi crescer ao longo dos anos), do coral, das cantatas de Natal, das EBFs, do oanse, dos cultos de oração, dos acampamentos, dos juniores (amados de paixão), da minha querida família (Pastor, Julieta, cunhados e irmãs) e de tantas outras coisas...
Ahh... Rio Pequeno, igreja da minha infância onde brincamos de esconde-esconde, pega-pega, gato-mia...; onde trocamos os primeiros bilhetinhos de amizade colorida, onde aprendemos a cantar com divisão de vozes logo nos primeiros anos da adolescência, onde aprendemos tanto de Bíblia, de amar a Deus, decoramos inúmeros versículos e vivemos tantos momentos de crescimento espiritual. Saudades!

Sinto saudades do meu trabalho. Apenas dois anos foram suficientes para descobrir um campo fértil de amizades, de pessoas queridas e dispostas a ajudar. É tão bom trabalhar com alegria, dar risadas, conversar sobre assuntos profundos, compartilhar do amor de Deus, ter espaço para falar, contar com a compreensão, sentir que as pessoas são humanas. Sim, nunca trabalhei em um ambiente tão humano como o CEU Uirapuru. Aprendi a admirar aqueles que estão na direção, aprendi a respeitar mais as diferenças e entender que bons resultados são apenas conseqüência de um trabalho feito conjuntamente por uma equipe coesa. Obrigada a todos os colegas por tudo que aprendi sobre profissão, sobre ser professora e que levarei para toda a vida.

Saudades, saudades, saudades...

Semana passada minha aula dos juniores foi sobre seguir a Jesus. Quase nunca isso é fácil, não é muito cômodo e por vezes é bem desafiador, mas é a única forma de encontrar verdadeira felicidade.
Não existe lugar no mundo melhor para se estar do que o centro da vontade de Deus. Lá, alegria, paz e satisfação são garantidas!

Tenho meditado em um dos versículos dessa lição:
"E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus." (Lc 9:62)
Prosseguir, não olhar para trás... Ele dará forças, Ele será o apoio, o conforto, a direção, a paz, a tranquilidade, o amor e a segurança!