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04/02/2011

Que venha minha "barra pesada" 4 série C!

Primeiramente, o grito: AAAAAAAAhhhh!!!

Agora o desabafo...

Depois de trabalhar 2 anos em uma escola nova, recém inaugurada, com professores novos (não de idade, mas de mente!) estou encarando o desafio de ser "nova" de idade e na profissão, em uma escola em que, digamos assim, a grande maioria já percorreu pelo menos 80% do caminho para a aposentadoria.

Isso deveria ser bom, afinal já tive oportunidades maravilhosas de aprender muito com professores experientes e 100% comprometidos com o que fazem. Mas nem sempre as coisas são assim.

Em apenas 3 dias de trabalho já fui jogada na berlinda para falar, fazer tarefas e chamada tantas vezes quantas perdi a conta de "menina". Fora que minha sala não tem lousa! rsrsrs... Parece mentira.

Fui a ultima a escolher a classe e peguei a que ninguém mais quis... Até hoje, não tinham falado nada terrível desses alunos, mas eu estava esperando que logo falariam.

Primeiro comentário que ouvi ontem foi: "Nossa, essas quartas séries são heterogêneas!". Se fosse há alguns anos atrás eu pensaria "Não é obvio que são heterogêneas? Se têm mais de 1 aluno têm que ser heterogêneas mesmo, né!" rsrs... Mas hoje em dia acho que consigo entender melhor o que está nas entrelinhas e não tive dúvidas de que o que ela quis dizer usando "pedagogês", foi nada menos que: minha sala têm uns poucos alunos "bonzinhos", alguns "mais ou menos" e uns vários "muito ruizinhos", e uns outros que "não escrevem nem o próprio nome". Basicamente, isso.

Então, nessas horas a gente aprende que não falar nada é a melhor das saídas. Até porque, com minha cara de "menina", dificilmente iriam acreditar que eu sei o que são salas heterogêneas e não tenho medo delas, não! rs...

Daí, a 2a bomba que tentaram me jogar foi hoje. Todo mundo lá sabe que na 4a série existe uma aluna com paralisia celebral, só que ninguém sabia dizer em que 4a série ela estava. O estranho é que quando perguntaram para a outra professora da 4a série se essa aluna era "dela" ela disse com a maior convicção "NÃO". "Estranho isso, né!", pensei. Mais estranho ainda é o fato de que eles não modificaram as salas do ano anterior, a 3aA virou 4aA, a 3aC virou 4aC, a minha sala. E milagrosamente esta aluna especial veio para a minha lista, sendo que ela não era da 3aC no ano passado.

Ahh, já virei o alvo dos "sinto muito", "você consegue", "é tranquilo, você vai ver", "ela falta bastante"... (Ah, dá até vontade de rir)...

GENTEEEEE, eu não tenho medo de inclusão também! rs
Para ser sincera eu tinha medo até 2 anos atrás, quando me deparei com o Renan, meu aluninho que tinha uma doença rara genética que o deixava tão cheio de bolhas e machucados abertos no corpo inteiro, que era até difícil olhar para ele. E de fato, tive uma crise de choro e queda de pressão quando o vi pela primeira vez e cheguei a pensar que não iria conseguir sequer tocar nEle.
Ahh, mas Deus me ensinou tanto através daquela vidinha nos 2 anos que passamos juntos! Foi maravilhoso aprender a olhar para esse menino que foi criado por Deus e amado por Ele, e enxergar, não a doença, mas a criança, com toda a curiosidade, inocência, capacidade de aprender, energia e carinho que as outras também demonstram. E foi tão gratificante quando, no fim do ano passado dei um abraço e um beijo nele e o vi sorrindo, coisas que demoramos mais de 1 ano para conseguir.

Ahh... Depois de lembrar disso, o que quero dizer é:

Deus sempre foi fiel e sempre será! Ele nunca falhou comigo, e não falhará! Ele nunca me deu desafios que eu não fosse capaz de enfrentar com ajuda dEle.

Além disso, Ele sabe onde e com quem devemos estar, e é Ele que nos coloca em determinados lugares, com determinadas pessoas e circunstâncias mais desafiadoras porque quer trabalhar nas nossas vidas, além de usar-nos para ser bênçãos na vida de outros!

Quero me lembrar disso sempre que achar o desafio difícil demais, ou cansativo demais, ou além das minhas forças. Deus me colocou ali e vai me ajudar!

E ele colocou você, que está lendo isso onde você está também!

Que possamos ser bênçãos, que possamos fazer a diferença, que possamos brilhar em um mundo que se encontra no escuro, que sejamos o sal que dá sabor às conversas, aos relacionamentos, aos ambientes de trabalho tão insossos por onde passamos.

Senhor, me ajude a ser bênção onde eu estiver! Esse é o meu desejo, a minha oração, a minha paixão.

E que venham meus já amados alunos da 4a série C!

17/01/2011

"Pedagogizando" - Adequar para ensinar

Bem, uma das minhas maiores descobertas na pedagogia é que uma das principais razões para um bom aluno mostrar desinteresse e indisciplina durante as aulas é o fato de o ensino não estar o atingindo da forma como deveria.

Nesses casos, na maioria das vezes, o conteúdo está fraco demais, "xôxo" demais, fácil demais ou repetitivo demais, alheio ao fato de que alunos, independente da idade, se cansam de ouvir as mesmas coisas, de responder as mesmas perguntas e seguir as mesmas orientações que não lhes oferecem nenhum desafio.

Engana-se quem acredita que repetição é um método sempre eficaz. Pense na Matemática para entender isso: resolver mecanicamente 100 operações de multiplicação e divisão garante que você as entenda? Não! Muitos de nós (e me incluo nisso) sobrevivemos bem às aulas de Matemática até a 5ª ou 6ª série e depois elas viraram um pesadelo justamente pela falta de compreensão dos conteúdos mais elementares.

Fato é que fazer uso estratégias memorizadas desprovidas de sentido em qualquer situação na vida não é demonstração de uma real aprendizagem.

A verdadeira aprendizagem ocorre quando há conflitos, dificuldade e esforço direcionado e motivado para atingir um determinado objetivo. E ela muda a vida do aluno, o leva para um estágio mais avançado de conhecimento e o permite utilizar suas descobertas em outras situações fora do âmbito escolar por iniciativa própria.

Este aspecto é, para mim, um dos maiores desafios como professora. Principalmente porque em uma sala de aula com 35 alunos você encontra uma diversidade tão grande de interesses, necessidades e habilidades que é imensamente difícil atingir, desafiar e motivar a todos. Difícil, sim, mas é necessário. E existem inúmeras estratégias para que isso se torne possível.

Agora, pensando em vida e crescimento espiritual esse princípio permanece. Se você quer ser um bom educador cristão, um bom conselheiro, professor ou alguém que possa contribuir com a vida de outrem, preste atenção a adequação.

  1. Olhe para o outro (aluno, aconselhado, amigo) – De que maneira você pode desafia-lo a ir além do que ele já sabe?

  1. Não generalize – Cada vida é uma vida. Tente enxergar individualmente cada pessoa, e cuide para que seu ensino tenha um direcionamento especial para a vida de cada um.

  1. Desafie – Não deixe que seu ensino caia na “mesmice”. Varie seus métodos, inclua conteúdos mais sólidos e mais “difíceis”. Até você se surpreenderá como seus alunos são inteligentes e capazes.

  1. Deixe-o caminhar – Ás vezes alguém só precisa de um incentivo e de você por perto para dar apoio e confiança. Lembre-se de como aprendeu a andar de bicicleta: quedas fizeram parte da aprendizagem. Se arriscar e até mesmo errar, muitas vezes, é necessário.

Estou lendo novamente o livro “Vivendo acima da mediocridade” do Charles Swindoll que tem me inspirado nessas reflexões.

Que desafio esse de ultrapassar as barreiras da mediocridade, ir além, voar altaneiramente e ajudar os outros a fazerem o mesmo...

É tão bom lembrar que temos um Deus que nos dá sabedoria e nos capacita. Basta pedir e colocar-se à disposição!

Desejando um 2011 altaneiro para todos!

26/08/2010

O que nem toda didática do mundo é capaz de ensinar


Didática é técnica. Técnica de ensinar.
Como professora, queria didática para tudo:
Para ensinar a jogar bola,
Para ensinar a cozinhar,
E principalmente, para discipular.

Quando a gente investe tempo em uma vida,
E sente que nada do que tentamos mostrar fez alguma diferença,
Surgem perguntas, indagações...

O que mais posso fazer
Para mostrar a ela
Que cristianismo não é religiosidade,
Que Deus não se importa com aparências e rituais,
Que Ele quer um coração quebrantado e contrito,
Com desejo de ser transformado?

O que, então, faltou
Para fazê-la entender
Que Ele abençoará seus planos
Se ela apenas entregá-los em Suas mãos
Deixando que Ele dirija
Deixando que Ele dite as regras?

Como ajudá-la a aprender
Que perdão é uma decisão
Que traz como consequência paz, leveza e alegria
Manda embora a dor, a amargura e o rancor
E restaura os relacionamentos quebrados?

Como fazê-la ver
Que a felicidade não está em algum lugar específico, ou em alguma situação específica
E que se ela não pode ser feliz aqui, agora,
Dificilmente o será em qualquer outro lugar do mundo
Ou em qualquer outra circunstância?

Como dizer de forma que entenda
Que não adianta fugir dos problemas,
Pois se Deus quer mudar seu coração,
Maiores provações e desafios virão,
E será que ela terá coragem para encará-los de frente?

Como, como, como?
Nem toda a didática do mundo poderia me ajudar nesses "comos".
Mas eu sei, já tenho as respostas:
Oração, Palavra de Deus,
E o agir do Espírito Santo em seu coração.

Ele não precisa de mim, humana e tão falha...
E não precisa de didática nenhuma.
Ele é o onipresente, onipotente, onisciente.
Ele irá com ela...
Ele a mostrará.
Ele.

02/07/2010

ACABOU!!!



Terminei o ultimo trabalho da faculdade. Será? Quase não estou acreditando!!!

Estou tão feliz! E encerrar escrevendo sobre algo que amo fazer é encerrar com chave de ouro! Segue:

Alfabetizar é...

Alfabetizar é amar a Língua,
Amar quem a fala, quem a escreve e, principalmente, quem a aprende.

Alfabetizar é observar com entusiasmo os pequenos avanços,
E aceitar com prazer as palavras kaza, qomida e kabelo,
Sabendo que brevemente elas virarão casa, comida, cabelo!

Alfabetizar é ter paixão pela leitura,
Desde um panfleto de supermercado,
Até um livro da Eva Furnari, do Monteiro Lobato, do Vinícios de Moraes.

Alfabetizar é ter paciência ao ver que uma criança não avançou como se esperava,
E acreditar que, mesmo que demore, ela irá conseguir!

Alfabetizar é fazer um portfólio de sondagens,
E ficar horas o admirando e pensando: Como essas crianças são inteligentes!

Alfabetizar é sentir que você fez diferença na vida de alguém,
Que você contribuiu para mudar um destino que para muitos já estava traçado,
Que você ajudou na formação de um leitor que pode fazer a diferença na sociedade,
Que você trouxe sorrisos para um rostinho triste...

Alfabetizar é ter a sensação de que seu trabalho é importante, mesmo que muitas vezes seja tão desvalorizado.
Alfabetizar, me faz ter certeza: ser professor vale à pena!

Juliana Paizam

01/04/2010

Dia da Páscoa ou dia da meleca?


Resposta: As duas coisas!

Reflexões sobre a Páscoa em uma escola pública

Este ano, mais uma vez, encarei o desafio de viver uma Páscoa de verdade na escola pública.
Sempre me revolto com a forma como essa data tão valiosa é explorada de forma tão vazia, para não dizer ridícula, nas escolas.
Todos os anos vejo centenas de crianças voltando para casa felizes, rosto enfeitado com bigodes e nariz de coelho pintados a guache, um par de orelhas grandes amarradas na cabeça enfeitadas de qualquer jeito por alguém que não vê a hora de prender um elástico e sair desfilando e, claro, algum pacote de docinhos, bis, ou chocolate dados de brinde pela professora que, com certeza, ama os alunos pois provavelmente teve que investir dinheiro do próprio bolso para essa boa ação.

Bem, minha crítica de que isso pode ser ridículo parece um tanto dura agora...
Mas o que me frustra, de verdade, é que essas crianças às vezes passam anos acreditando que precisam ganhar montes de chocolates para que tenham uma Páscoa feliz. Pior do que isso, às vezes elas passam a vida inteira com a imagem do coelho da páscoa e do ovo de chocolate como símbolos principais, e muitas vezes, únicos, desta comemoração.

Mudar essa visão sem que os alunos percam a expectativa e alegria que esse dia traz é um objetivo bem difícil de se alcançar. Cada ano tenho tentado alternativas diferentes, mas até esta data ainda não havia conseguido abolir 100% a presença do coelhinho da páscoa, que acabava "acidentalmente" aparecendo em algum cartão, cantiga ou atividade tradicional.

Este ano, porém, fiz um propósito de focar uma Páscoa totalmente diferente, em que a pessoa ou imagem do coelho fosse totalmente ausente. E, não fosse aparição inesperada do gestor do centro educacional vestido de coelho gigante, isso foi totalmente possível e real hoje, na 2a série D.
E foi tão bom! Agora tenho certeza de que quero isso sempre, enquanto eu estiver nesta profissão, nem que para isso eu tenha que ir contra um grupo de professores coeso em suas programações de atividades.

Hoje tive a oportunidade de falar do amor de Cristo para minhas crianças. Contei como a Páscoa pode ter um sentido tão real, tão significativo, tão valioso, tão especial na vida delas se apenas entregassem o seu coração a Jesus. Ahh... foi emocionante ver os olhinhos delas brilhando, ver a cara de tristeza ao saberem que as pessoas mataram nosso Salvador de forma tão cruel sendo Ele inocente, ver a alegria que demonstraram ao saber que Ele venceu a morte; sentir os corações abertos e tão espontâneos ao apelo. Foi emocionante!

Depois disso, pedi que fizessem um cartão de Feliz Páscoa para alguém especial. Foi lindo ver alguns desenhos como este:

(Aluna Jenifer - para sua mãe, desejando que as pessoas pensassem mais em Deus na Páscoa)

Encerramos o dia fazendo uma receita de bombons de leite em pó. Acho que exageramos na dose de leite condensado, pois a massa ficou tão grudenta que não conseguimos enrolar as bolinhas direito. Mas foi tão divertido! Um dia inesquecível para mim, e, espero e oro, para eles também, registrado aqui para que eu nunca me esqueça de que é imensamente gratificante aproveitar momentos tão oportunos como a Páscoa, para compartilhar do amor do nosso Deus.

FELIZ PÁSCOA PARA TODOS,
pensando no imenso amor de Jesus por nós, sua vitória sobre a morte, e na certeza e esperança que temos de uma eternidade com Ele no céu!